Intervenção Psicológica em Incidentes Críticos

PROGRAMA DE AJUDA HUMANITÁRIA PSICOLÓGICA

A

FAMÍLIAS ENLUTADAS, ALUNOS, PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS DA
Escola Municipal Tasso da Silveira
REALENGO – RIO DE JANEIRO

 Ana Maria Fonseca Zampieri

Índice

  1. Tema.
  2. O Programa de Ajuda Humanitária Psicológica – PAHP e a ABRAPAHP.
  3. A metodologia do PAHP.
  4. Programação.
  5. Equipe de Profissionais.
  6. Referências Bibliográficas.

 

  1. Tema

“O que precisamos aprender é reconhecer como os problemas locais e globais estão interconectados.

Nenhum dos problemas do nosso tempo podem ser entendidos de maneira isolada.

Para resolvê-los, precisamos aprender como pensar sistemicamente

em termos de relacionamentos, padrões e contextos”.

(Capra, 2008)

Em nosso país, assim como outros do mundo, o número de violências infelizmente, tem se revelado como presença constante e devastadora nas famílias e comunidades.

A mudança mais empolgante para nosso globo é a de novos valores, onde a busca de direitos civis, pela paz, a justiça social, os alimentos saudáveis, os cuidados com a saúde e novos hábitos de consumo, trabalhados com a mitigação do aquecimento global, vão incluir as complementariedades ocultas nas incompatibilidades. Falar de violência, nesse novo paradigma, é articular novas compreensões a todos os protagonistas desse drama.

Sabemos que a educação é o melhor caminho para a mudança de paradigmas e a família, a escola e a comunidade são os primeiros grandes vínculos de inserção da sustentabilidade de padrões éticos na vida dos cidadãos. Precisamos pensar numa atmosfera que nos una a todos: sociólogos, juízes, psicólogos, médicos, assistentes sociais, advogados, promotores, educadores, pais, professores e famílias, em uma consciência de co-responsabilidade.

Nós, humanos, somos a sociedade mais complexa dos seres vivos. Podemos criar, acalentar, educar e formar nossa prole e, ao mesmo tempo, agredir, humilhar, destruir, abusar e matar essa mesma descendência. A violência permeia a nossa história, em cada cultura do passado e do presente, ao longo da nossa evolução. Especialmente nos chocam a violência intrafamiliar, seja entre cônjuges, contra crianças, mulheres, homens, bebês e idosos, além das cometidas dentro das escolas, como esta tragédia na Escola Municipal Tasso de Silveira, no Realengo, do Rio de Janeiro.

Entendemos que ajudar não é substituir, mas gerar nos indivíduos, nas famílias, nas escolas e nas comunidades, capacidades de descobertas de soluções próprias, onde eles são co-autores de seus caminhos de resolução dos problemas.

A Organização Mundial da Saúde reconhece a violência como um grave problema de saúde pública, além de constituir uma violação dos direitos humanos, pois                   representa o risco maior para a realização do processo vital humano: ameaça a vida, altera a saúde, produz enfermidade e provoca a morte como realidade ou como possibilidade.

A violência é uma questão política, cultural, policial e jurídica e, embora não seja um problema específico da área da saúde, ela a afeta. É, portanto, um fenômeno complexo, que envolve fatores sociais, pois afeta o bem-estar, a produtividade, o desenvolvimento pessoal e a auto-estima da vítima, além de fatores ambientais, culturais, econômicos e políticos. Devemos, então, analisar nas situações de violência, o conjunto de fatores, como condição de vida, questões ambientais, trabalho, habitação, educação, lazer, cultura, entre outros e sempre articulá-los.

Embora todas as pessoas possam agredir ou ser agredidas, as maiores vítimas da violência – física, sexual, psicológica ou por negligência – são as crianças, adolescentes, mulheres, pessoas idosas, homossexuais, portadores de alguma deficiência e de transtorno mental. Nesta tragédia do Realengo podemos observar as tramas dessa complexidade.

A mortalidade e a morbidade por violência tem aumentado em todo país. Situa-se como a segunda causa de morte em toda população. Em média, as causas externas provocam 120.000 mortes por ano no Brasil. Diante disso, a violência caracteriza-se como sério problema de saúde pública, pois causa forte impacto na saúde da população brasileira. Nos últimos 20 anos, as violências e os acidentes vêm ultrapassando as doenças degenerativas e infecções em taxas de mortalidade e morbidade, já que cada vez mais surgem enfermidades psicossomáticas causadas pelas condições de vida, acidentes e violências.

Em 1989 a luta contra essa violência foi incluída no Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8069/90 e na Convenção Internacional dos Direitos da Criança (1989). Violência sexual contra crianças e adolescentes é crime contra a vida. O Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, prevê pena.

O ECA dispõe sobre a proteção à criança e ao adolescente, considerando criança, para efeitos da lei, a pessoa até 12 anos incompletos; e adolescente, aquele entre 12 e 18 anos. O artigo 5º assegura que: “nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, e será punido, na forma da lei, qualquer atentado por ação ou omissão aos seus direitos fundamentais”.

A lei Maria da Penha, nº. 11.340/06, sancionada em 7 de agosto de 2006, trouxe importantes mudanças nos tipos de crimes de violência contra a mulher e os procedimentos judiciais correspondentes. Um dos destaques dessa lei é a caracterização da violência doméstica como uma violação dos direitos humanos.

Nas situações de violência contra a criança e o adolescente, os profissionais têm deveres de protegê-los, de tratá-los clinicamente, de mantê-los junto à família e de melhorar as relações familiares.

É na complexidade e circularidade que propomos aqui uma visão sistêmica, multicausal e com necessidades de intervenções prolitransdisciplinares à violência, onde todos os protagonistas: vítimas, agressores e co-agressores, devem ser tratados, cuidados e educados.

Urge uma psicoeducação da paz que leve em consideração a co-construção sócio familiar da não-violência. Para isto, é preciso ter a conscientização de que a violência é um fenômeno que precisa da desconstrução das alternativas únicas de afastamento, punição e/ou prisão do agressor; para uma atitude não apenas disciplinatória, onde esse personagem possa também ser tratado na profundidade necessária ao desenvolvimento familiar e social.

Outras questões dessa politransdisciplinariedade aqui citada é a necessária revisão das metodologias de avaliação à situação traumática vivida por toda família, especialmente por parte de todos os profissionais que executam as intervenções como: médicos, policiais, psicólogos, assistentes sociais e juizes, entre outros.

Nossas políticas públicas de saúde e sociedade civil necessitam de capacitações reais, profundas e amplas para atender agressores, vítimas e co-agressores; numa visão “empoderada” de novos recursos para os tratamentos adequados, que a família e a sociedade precisam.

A violência contra crianças e adolescentes é um fenômeno complexo que envolve causas socioeconômicas e histórico-culturais, aliado a pouca visibilidade, à ilegalidade e à impunidade. Pode-se destacar a má distribuição de renda, a migração, a pobreza, o acelerado processo de urbanização e a ineficácia das políticas sociais. Objeto de dominação dos adultos, merecedores de amor desvalorizado, contaminado pela idéia de fraqueza e inferioridade.

As conseqüências decorrentes da vivência de violência parecem ser inúmeras, porém há certa dificuldade em descrevê-las de modo sistemático, porque, dependendo do caso, as seqüelas são agravadas ou amenizadas com o tempo e podem se manifestar tardiamente ou, ainda, nunca aparecer e a é pessoa considerada como “assintomática” (CEREZO, 1995 apud HABIGZANG et al, 2006). Contudo, existe a presença de uma série de problemas em adolescentes, que poderiam ser decorrentes dos maus tratos familiares e que englobam desde comprometimentos orgânicos até emocionais e/ou psicossociais, destacando-se os danos ao desenvolvimento neurológico, intelectual, social, a baixa auto-estima; os comportamentos agressivos, o isolamento, as dificuldades de relacionamento, depressão, ideação de homicídio e de suicídio, dificuldade de adaptação sexual, sentimento de culpa, abandono da escola, prostituição e rejeição familiar; e, é importante enfatizar, com conseqüências que estariam sendo observadas a curto e a longo prazo.

A violência contra adolescentes pode afetar todos os aspectos de suas vidas, como psicológicos, físicos, comportamentais, acadêmicos, sexuais, interpessoais, espirituais, comprometendo a auto-estima e estimulando a ocorrência de violências subseqüentes. Há uma tendência em subestimar os efeitos da violência doméstica contra o adolescente como menos sérios, acreditando que o impacto parece ser temporário e desaparecer no transcorrer do seu desenvolvimento. O trauma não deve ser desconsiderado, pois seus efeitos a longo prazo não são evidenciados de imediato.

Durante e depois de um incidente crítico, como os que vivemos no Realengo, o trauma psicológico é uma das conseqüências das multifacetadas situações que vivem indivíduos e comunidades danificadas. Um atual estudioso de traumas e seus efeitos no cérebro, Van der Kolk (2011) afirma que os cérebros das pessoas mudaram por causa de traumas e que os efeitos são comportamento anti-social; entorpecimento emocional, agressão, violência e dissociação física e mental; além de deixarem uma espécie de marca na parte central do cérebro chamada córtex pré-frontal medial, o que ajuda a regular o nosso relacionamento com nós mesmos e com o outro; a auto-reflexão e auto-observação, fundamentais, inclusive, no estabelecimento de relações sociais com os outros. Há um amplo espectro dos devastadores efeitos psicológicos e psicossociais que estes incidentes críticos podem provocas a curto, médio e longo prazo, entre eles, o que denominamos de Transtorno de Estresse Pós-Traumático – TEPT (DSM IV). Essas feridas pós-tragédias nem sempre são visíveis, identificáveis ou imediatas. A literatura especializada indica a prevalência do TEPT de 11% a 40% e que as vítimas psicológicas sobrepassam as vítimas físicas, ao menos em uma relação de 4 a 1. Nos chamados Transtornos de Estresse Pós-Traumático – TEPT, as pessoas podem apresentar revivências alucinatórias das cenas traumáticas vindas direta ou indiretamente, o que chamam de flashbacks; pensamentos e recordações insistentes, invasivas e repetitivas dos momentos perturbadores; inapetência ou outros transtornos alimentares; dificuldades para dormir; desespero; pânicos; depressões; idéias de suicídio; desesperança; dificuldades de concentração intelectual e laboral; uso de drogas, álcool e medicamentos; irritabilidade; agressividade e atos de violência, entre outros. Um atual cientista da Universidade da Califórnia, dr. Van Del Kolk, apresentou em 2000, pesquisas anatomo-fisiológicas e neurológicas, onde se encontram alterações em áreas cerebrais, em pessoas com TEPT, que, inclusive apontam deficiências para lidar e interpretar informações de fatores emocionais e sensoriais do trauma, bem como alterações nos pensamentos resultantes de respostas desadaptativas frente ao evento traumático.

Há duas categorias gerais de incidentes críticos: as guerras, os ataques terroristas e a violência, como este ocorrido em Realengo, entre outros. E, ainda, os causados pela natureza, que podem ser previsíveis e imprevisíveis. Pretendemos, com esta intervenção, capacitar profissionais do Rio de Janeiro, da área de saúde pública da região afetada do Realengo, especialmente, e atender a população afetada, ou seja, famílias enlutadas, alunos, professores e funcionários da Escola Municipal Tasso da Silveira, com a metodologia de intervenção em crises.

Em um incidente crítico, uma intervenção pode ocorrer em três momentos: a fase pré-impacto, quando ele é previsível e se pode advertir a população com certa antecipação; durante o próprio impacto e no pós-impacto, quando se avaliam os danos humanos e naturais. Este projeto pretende atender a terceira etapa, que objetiva restaurar o funcionamento dos mecanismos de adaptação das pessoas afetadas direta ou indiretamente no evento da Escola Municipal Tasso da Silveira, reforçar a capacidade da mesma para resolver problemas e promover o desenvolvimento de um sentido interno de ordem e perspectiva para elaboração de lutos e reorganização de suas vidas.

A preparação de psicólogos especialmente da rede pública brasileira, tem uma importância fundamental na prevenção primária, secundária e terciária da saúde mental e da construção de imunidade psíquica de crianças, adolescentes, adultos e idosos, expostos à desorganização que incidentes críticos, como este, provocam em suas vidas.

Psicólogos treinados podem auxiliar, inclusive outros profissionais, para a elaboração de um plano estratégico de ações que possam reduzir, ao mínimo, a perda de saúde psicológica, através de práticas específicas de saúde mental, comunitária e clínica, aplicadas a incidentes críticos. Estes psicólogos devem adaptar-se aos cenários locais; às variedades de discursos, trabalhar na comunicação local e é preciso ter consciência da necessidade de terem flexibilidade, plasticidade e tolerância à frustração. Planos estratégicos devem existir para treinar profissionais em saúde mental para atuarem até os primeiros três meses depois do incidente crítico, na prevenção da síndrome do estresse agudo, do trauma psicológico complexo e do TEPT; patologias que poderão se apresentar desde as primeiras horas ou dias, até meses ou anos depois das tragédias.

Se traumas psicológicos de sobreviventes danificados não são tratados, poderão advir sérios problemas psicológicos e psicossociais que deterioram ainda mais o já fragilizado tecido social da comunidade afetiva (Jarero, 2004, Zampieri, 2008).

Vivemos em uma era em que o tema sustentabilidade é protagônico. Ter consciência da nossa co-responsabilidade do destino da cultura da paz e da não-violência, é uma educação nem sempre simples, pois passa por atos do cotidiano de nossas vidas, enquanto seres humanos. Se sustentabilidade necessita de uma base ética, enquanto a consciência de não causar danos ao outro, seja ele a Terra, as pessoas que não vemos ou o cosmos; é preciso ter coragem de poder falar do amar, nos diversos domínios de nossa consciência e sociedade.

O futuro, quanto se pensa em sustentabilidade, é agora. E cuidar da Terra é aprender com a natureza, sobre a existência no espaço de colaboração e co-responsabilidade. Podemos mudar e nos educar, sim, pela reflexão, conscientização e ações. Nesse sentido, sermos éticos com a comunidade e nosso entorno, é nos conscientizarmos de nossa co-responsabilidade com as vivências humanas nos incidentes críticos, onde as pessoas danificadas são os protagonistas deste nosso viver. Geramos o mundo que vivemos? Se sim, o amar ético exige ações.

  1. O Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP)

Baseado na concepção de que a prevenção e a busca de uma imunidade psíquica podem desenvolver forças internas nas pessoas danificadas por desastres naturais, para a reconstrução de redes laborais, familiares e sociais mais resistentes e resilientes emocionalmente, nasceu, em 2008, uma ação conjunta da F&Z Assessoria e Desenvolvimento em Educação e Saúde Ltda e do Rotary Club do Butantã, de São Paulo: o PAHP – Programa de Ajuda Humanitária Psicológica. E sua primeira intervenção foi nas cidades de Blumenau, Gaspar e Ilhota, no estado de Santa Catarina, com os parceiros Rotary Club Blumenau Norte, da FIESC, do SESI, da FURB, do Instituto Franz Muller e da FAB, nos anos de 2008 e 2009.

O PAHP é composto por três grandes equipes, a saber:

  1. O corpo de psicólogos especializados a fazer Intervenção Psicológica em Incidentes Críticos, que atende diretamente a população afetada, incluindo as pessoas da Defesa Civil do Corpo de Bombeiros, de socorristas do SAMU, educadores e profissionais da área de saúde mental, entre outros. Esses atendimentos psicológicos são feitos em abrigos, escolas públicas, quartéis, igrejas, hospitais, praças públicas e outros lugares conseguidos e adequados para tal.
  2. O corpo de professores o PAHP, especialistas em Intervenção Psicológica em Incidentes Críticos, mestres, doutores e pós-doutores que, em convênio com universidades locais, promove tratamentos, capacitação especializada aos psicólogos locais, para que possam ser multiplicadores desta continuidade dos trabalhos psicoterapêuticos nas regiões afetadas.
  3. O corpo de voluntários, em sua maioria rotarianos, que cuidam da logística, comunicação social, contatos com imprensa e, enfim, toda a infra estrutura do PAHP.

Desde 2008, o PAHP esteve em atendimento de Intervenção Psicológica em Incidentes Críticos, no estado de Santa Catarina, em 2008/2009, nas cidades de Blumenau, Ilhota e Gaspar; no estado do Maranhão, nas cidades de São Luiz, Trizidela do Vale, Rosário e Pedreiras, em 2009; em Barueri / São Paulo em 2010; no Rio de Janeiro, em Niterói, com as vítimas do Morro do Bumba em 2010, e em Nova Friburgo em 2011. Atendemos 6900 pessoas danificadas e capacitamos 290 psicólogos dessas regiões.

Foram realizadas educações para a cultura da paz e da não-violência a estudantes, professores e pais de diversas escolas de São Paulo, Mogi das Cruzes, Brasília e Goiânia, nestes últimos 15 anos.

Em novembro de 2010, durante o II Congresso de EMDR e Psicotrauma, o PAHP recebeu o prêmio John Hartung, como reconhecimento à contribuição mais significativa do emprego do EMDR em trabalhos de Ajuda Humanitária realizado pela Iberoamérica.

Em 24 de fevereiro de 2011 foi fundada a ABRAPHP – Associação Brasileira de Programas de Ajuda Humanitária Psicológica, da qual sou diretora científica e de assuntos acadêmicos e que tem como meta a institucionalização e aperfeiçoamento destes trabalhos.

  A metodologia do PAHP

A Intervenção Psicológica em Incidentes Críticos adota as metodologias científicas articuladas de:

  1. Sociodrama Construtivista de Incidentes Críticos (Zampieri, 1996): metodologia para grupos de porte pequeno (20 a 30 pessoas), médio (50 pessoas) e grande (200 a 300 pessoas), onde a equipe profissional facilita, em três fases: aquecimento inespecífico e específico, dramatização e compartilhar, o surgimento coletivo das principais cenas potencialmente traumáticas dos incidentes críticos e colabora na construção de técnicas de enfrentamento e elaboração psíquica das mesmas. Esse momento também serve de triagem para novas intervenções do PAHP e/ou encaminhamentos para tratamentos específicos e/ou especializados, detectados como necessários. Nesta metodologia, algumas pessoas beneficiadas já podem ser excluídos da continuação da Intervenção Psicológica.
  2. Debriefing (Mitchel, 1974): para grupos pequenos de (5 a 10), famílias ou grupos médios (até 30 pessoas). Em sete fases o grupo reflete, relembra e separa em áreas cognitivas, de emoções e de ações, os piores momentos vividos compartilhados e os participantes recebem ensinamentos para lidar com os estresses. Também aqui são feitas triagens para novos atendimentos grupais do PAHP.
  3. Terapia Grupal de EMDR (Eye Movement Desentization and Reprocessing) – (Jarero e Lucinda, 2008): Terapia para grupos de até 20 pessoas triadas nos procedimentos anteriores, onde há, em 8 etapas, a identificação do possível foco traumático, a dessensibilização e o reprocessamento. Esta metodologia é outro momento de triagem, para casos identificados como mais agudos e graves; que serão levados a procedimentos individuais de EMDR e/ou outros encaminhamentos necessários.
  4. Terapias individuais com EMDR (Eye Movement Desentization and Reprocessing) de Francine Shapiro (2000): onde pessoas mais afetadas são tratadas com 1 a 3 sessões pelos especialistas do PAHP.
  5. Sociodrama Construtivista de Reconstrução (Zampieri, 2008): para pequenos, médios e grandes grupos, objetiva a conscientização grupal das forças internas de “empoderamento”, nos níveis individuais e coletivos: para a reconstrução de suas vidas, de seus lares, elaboração de lutos e mobilização de crenças positivas, esperança e resiliência. Nessa modalidade costuma-se apresentar, também, a síntese dos trabalhos e resultados parciais do Programa de Ajuda Humanitária Psicológica desenvolvido no local.

O PAHP pretende intervir psicologicamente mais em grupo, pela indicação de crise e os atendimentos individuais são os menos freqüentes. Para se ter uma idéia, em 6900 atendimentos realizados, fizemos 300 atendimentos individuais de EMDR.

Quero ressaltar que esses PAHPs são registrados em fatos e filmagens, para posteriores edições e documentações, desde que devidamente autorizados. E, ainda, que atualmente ele é objeto de pesquisa de pós-doutorado em Psicologia, na Universidade Salvador – USAL, em Buenos Aires, pela autora desta proposta.

   Programação da Capacitação e Intervenção em Crise
ESCOLA MUNICIPAL TASSO DA SILVEIRA
REALENGO – rj

 

ABRIL / 2011
DIA HORA ATIVIDADE
21 10:30 – 11:30 – Aspectos Psicossociais de Crimes e Chacinas
11:30 – 13:00 Protocolos de luto por violências. Grupal e individual.
13:00 – 15:00 Almoço
15:00 – 18:00 Atendimento aos Professores da Escola- Aplicação de Protocolos Grupais e Individuais
19:30 – 21:00 Reunião / Supervisão Terapêutica Equipe do PAHP.
22 09:00 – 12:00 Reciclagem e Supervisão:Protocolos de Violência Grupal e Individual: Sociodramas Construtivistas.
12:00 – 14:00 Almoço
14:00 – 18:00 Atendimento no Local Escolhido: As famílias enlutadas
19:30 – 21:00 Reunião / Supervisão Terapêutica Equipe do PAHP.
23 08:00 – 13:00 Atendimento Grupal e Individual para os Jovens da Escola
13:00 – 14:30 Almoço
14:30 – 18:00 Atendimento Grupal e Individual para os Jovens da Escola
19:00 – 20:30 Reunião / Supervisão Terapêutica Equipe do PAHP:- Avaliação- Estratégias de continuidade- Projeto de Capacitação PAHP – Realengo Fase 2
22:00 Retorno para São Paulo

 

  1. Equipe de Profissionais

5.1. Profissional Responsável:

Prof. Dra. Ana Maria Fonseca Zampieri

(Diretora Científica e Acadêmica da ABRAPAHP)

Psicóloga, graduada pela Universidade de São Paulo (USP, 1975). Pós-doutorada em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP, 2009). Doutora em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP, 2003). Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP, 1995). Pós Graduada em Terapia Sexual pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana de São Paulo. Pós Graduada em Terapia Sistêmica de Casais e Famílias pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP, 1990). Especialista em Terapia de Casais e Famílias pela Sociedade de Estudos da Família (SEFAM, 1988) de São Paulo. Psicodramatista Terapeuta didata e supervisora de Psicodrama pela Federação Brasileira de Psicodrama (FEBRAP, 1987). Terapeuta de Eye Movement Desensitization and Reprocessing – EMDR pela EMDR Institute Inc. – USA, 2006. Especialista em Intervenções em Incidentes Críticos pela International Critical Incidents Stress Foundation, 2008. Especialista em Psicotrauma pela Sociedade Argentina de Psicotrauma, 2007. Especialista em Eye Movement Desensitization and Reprocessing – EMDR Grupal e Integrativo pela Sociedad Argentina de Psicotrauma (SAPSI) de Buenos Aires, 2008. Especialista em Eye Movement Desensitization and Reprocessing – EMDR com crianças e famílias pela F&Z Assessoria e Desenvolvimento em Educação e Saúde Ltda. de São Paulo. Terapeuta Brainspoting, 2009. Doutoranda em Psicologia, em Disruptivo, pela Universidade Salvador – Buenos Aires (2010 – 2012). Certificação em Biologia Cultural. Universidade da Indústria (UNINDUS – PR); Escola Matriztica, Chile (2009-2012).

É consultora desde 1990 da Associação Saúde da Família e Elton John Aids Foundation. Desde 1990, Coordenadora de Ciências e Assuntos Acadêmicos da F&Z Assessoria e Desenvolvimento em Educação e Saúde Ltda. Coordenadora de Cursos de Pós–Graduação em Terapia de Casais e Famílias e de Terapia Sexual Conjugal em São Paulo na F&Z Assessoria e Desenvolvimento em Educação e Saúde Ltda., em Goiânia na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e Centro de Atendimento em Psicodrama (CAEP) e em Brasília no Instituto de Psicoterapia de Brasília (INTERPSI). Coordenadora de projetos de prevenção de abuso sexual intrafamiliar, gravidez precoce e Aids. Coordenadora do Projeto de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP) à Santa Catarina, do Maranhão, de São Paulo e de Niterói. Presidente de honra e diretora de Ciências e Assuntos Acadêmicos da Associação Brasileira de Programas de Ajuda Humanitária Psicológica – ABRAPAHP.

– Sociodrama Construtivista da AIDS. Editora Psy. Campinas. 1996.

– Erotismo, Sexualidade, Casamento e Infidelidade. Sociodrama Construtivista da Sexuali-

dade Conjugal na Prevenção do HIV e da AIDS no Casamento. (2003).

– Educação Sexual para Famílias na luta contra a Aids. SUDUSCON – SP – 2007.

– Terapia Familiar na Construção da Paz e da Não Violência – SUDUSCON – SP – 2009.

– Manual de Capacitação. Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP – RJ/2011)

SP – 2011.

– Psicodrama em Empresas. Editora Agora –SP – 1989.

– Initiatives of HIV / AIDS Prevention in Brazil. International Family Heath – SP – 2000.

– Terapia Familiar e Justiça Social. APTF. São Paulo – 2000.

– Terapia Familiar no Brasil na última década. Editora Roca – SP – 2008.

– Os Desafios do Amor. Editora Roca – SP – 2010.

 

5.2. Diretoria da ABRAPAHP

Diretoria Executiva: Reinaldo Franco

Vice-Presidente: Edgardo Manfredo Arx

Diretor Administrativo: Carlos Eduardo de Freitas Coelho

Diretora Científica e Acadêmica: Ana Maria Fonseca Zampieri

Diretor de Comunicação: Mário Mendes da Silva Junior

Diretora Operacional: Marly Mairelles Breves Baruffaldi

Diretor de Finanças: Wilson Santoro

 

5.3. Profissionais Responsáveis pela Capacitação e Intervenção em Crise – Psicólogos, Mestres e Doutores em Psicologia Clínica, Terapeutas de Famílias, Psicodramatistas, Psicotraumatologistas, Terapeutas de EMDR; Terapeutas de Intervenção em Incidentes Críticos:

– Prof. Ms. Ana Lúcia Castello

– Prof. Dra. Ana Maria Fonseca Zampieri

– Esp. Ana Paula Fonseca Zampieri

– Prof. Ms. Claudete Aparecida Rodrigues Milaré

– Esp. Dulce  Regina Barbosa Loureiro Conte

– Esp. Izabel Emilia Sanchez Abrahão

– Esp. Lilian Tostes

– Prof. Ms. Maria Cristina Milanez Werner

– Prof. Ms. Marisa Barradas de Crasto

– Esp. Narda Nery Tebet

– Prof. Esp. Solange Dair Santana Affonso

– Prof. Dra. Suzana Londero Diaz Barreto

 

  1. Referências Bibliográficas

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